🔍 O Nome “Jeová” no Novo Testamento? A Manipulação da Tradução do Novo Mundo

🔍 O Nome “Jeová” no Novo Testamento? A Manipulação da Tradução do Novo Mundo

Como a Torre de Vigia reescreveu o Novo Testamento para apoiar sua teologia


📖 Introdução

A Tradução do Novo Mundo, publicada pelas Testemunhas de Jeová, apresenta um detalhe singular que a distingue de praticamente todas as outras versões bíblicas: a inserção do nome “Jeová” 237 vezes no Novo Testamento. A justificativa apresentada por sua Comissão de Tradução é que o nome divino teria originalmente aparecido nos manuscritos gregos e que as traduções modernas erraram ao removê-lo.

Mas… isso é verdade? Ou estamos diante de uma das maiores manipulações textuais modernas da Bíblia?

Vamos examinar as alegações, os fatos e as distorções.


🧱 A base do argumento: uma colcha de suposições

A Comissão afirma que:

  • O Tetragrama (YHWH) aparecia nas Escrituras Hebraicas usadas nos dias de Jesus.
  • Algumas traduções da Septuaginta (AT em grego) preservavam o nome.
  • Jesus “tornou o nome de Deus conhecido”.
  • Os cristãos judeus escreviam o nome de Deus em seus textos.
  • Alguns estudiosos, como George Howard, sugerem que o nome talvez estivesse presente nas citações do AT feitas no NT.

Mas nenhuma dessas afirmações prova que o nome JEOVÁ estivesse nos manuscritos gregos do Novo Testamento.


📜 O que mostram os manuscritos mais antigos do Novo Testamento?

Há mais de 5.800 manuscritos gregos do Novo Testamento conhecidos atualmente — alguns datando do século II EC, como o Papiro 52. Nenhum, absolutamente nenhum, contém o Tetragrama (יהוה) nem mesmo transliterações como “Iao” ou “Yahweh”.

✅ O que encontramos?
Sempre as formas gregas “Kyrios” (Senhor) ou “Theos” (Deus).

Ou seja: o nome pessoal de Deus nunca apareceu nos manuscritos originais conhecidos do Novo Testamento.


🧠 A falácia da Septuaginta “original”

A Torre de Vigia cita fragmentos da Septuaginta (como o Papiro Fouad 266, século I a.C.) que incluem o Tetragrama em letras hebraicas dentro do texto grego. Mas isso não é evidência de uso no Novo Testamento.

Por quê?

  • Esses fragmentos são raros e se referem ao Antigo Testamento grego.
  • A tradição judaica evitava pronunciar o nome divino em voz alta.
  • Os manuscritos completos da Septuaginta usados pelos cristãos — como o Códice Sinaítico e o Códice Vaticano — já usam “Kyrios” no lugar do Tetragrama.

🔍 Conclusão: o nome já estava em desuso antes mesmo da redação dos evangelhos.


✝️ O “nome” que Jesus teria tornado conhecido

João 17:6: “Manifestei o teu nome aos homens…”

A Comissão interpreta isso como se Jesus tivesse usado o nome “Jeová” publicamente. Isso ignora completamente o uso simbólico da palavra “nome” nas Escrituras:

  • “Nome” é uma expressão para autoridade, caráter, identidade.
  • Nenhum evangelho registra Jesus usando o Tetragrama.
  • Nem seus inimigos o acusaram de blasfêmia por usar o nome sagrado — algo que certamente fariam se ele o usasse abertamente.

❗ Conclusão: A expressão “tornar conhecido o nome” é teológica, não fonética.


🕍 A Tosefta e os “escritos dos minim”

A comissão cita a Tosefta (Shabat 13:5), que afirma que os escritos dos minim (hereges, provavelmente cristãos judeus) com “referências ao Nome Divino” deveriam ser queimados.

Mas:

  • O termo “Nome Divino” pode referir-se a citações do AT, não ao uso do nome em narrativas do NT.
  • A referência é ambígua e tardia (século III), e não menciona o Novo Testamento grego.

⚠️ Aqui, a Torre faz um salto lógico não autorizado: de uma alusão rabínica obscura para a suposta existência do nome “Jeová” em evangelhos.


📚 O uso do nome por outros tradutores

A comissão menciona várias traduções antigas que colocaram “Jeová” no NT:

  • The Emphatic Diaglott (1864)
  • Traduções em alemão, espanhol, francês etc.

Isso é engano por associação. Esses tradutores não se basearam em manuscritos gregos antigos com o nome divino, mas em interpretações confessionais modernas.

❌ Nenhuma dessas inserções tem base textual — são decisões editoriais, não textuais.


🧪 E os estudiosos? Eles apoiam a inclusão do Tetragrama?

A Watchtower cita George Howard, que especulou em 1977 que o Tetragrama poderia ter aparecido em citações do AT no NT. Porém:

  • Howard reconhece que não há manuscritos que sustentem essa hipótese.
  • A maioria dos eruditos rejeita essa teoria.
  • O próprio Howard não defende a inserção de “Jeová” no texto do NT moderno.

📖 O Anchor Bible Dictionary também menciona a hipótese — mas como hipótese, não como evidência.


🚫 Conclusão: Uma doutrina forçada ao texto

A inserção do nome “Jeová” no Novo Testamento pela Tradução do Novo Mundo:

  • Não é uma restauração textual
  • É uma intervenção teológica
  • Vai contra todas as evidências manuscritas

A alegação da Torre de Vigia de que “há provas convincentes” para essa inclusão é profundamente desonesta. O que temos é uma tentativa deliberada de reescrever os evangelhos e as cartas apostólicas para validar uma doutrina moderna.


🧠 Leitura recomendada

  • Bruce M. MetzgerThe Text of the New Testament
  • Bart D. EhrmanMisquoting Jesus
  • Jason BeDuhnTruth in Translation
  • George HowardThe Tetragram and the New Testament
  • Anchor Bible Dictionary, verbete “Tetragrammaton”

admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *