📜JEOVÁ: UM NOME MEDIEVAL INSERIDO NO NOVO TESTAMENTO?

📜JEOVÁ: UM NOME MEDIEVAL INSERIDO NO NOVO TESTAMENTO?

A construção artificial de um nome e sua transformação em doutrina

Uma das marcas mais fortes das Jehovah’s Witnesses é a ênfase no uso do nome “Jeová”. Segundo a organização, restaurar esse nome na Bíblia — inclusive no Novo Testamento — seria essencial para o verdadeiro cristianismo.

Mas surge uma pergunta histórica inevitável:

Se o nome “Jeová” é tão central, por que ele só aparece na história cristã mais de mil anos depois dos apóstolos?

A resposta nos leva à Idade Média.


🏛 A ORIGEM REAL DO NOME “JEOVÁ”

O nome “Jeová” não é a pronúncia original do tetragrama YHWH.

Ele surgiu a partir de um erro de leitura medieval.

📚 Raimundo Martini e o século XIII

O primeiro registro conhecido da forma latina “Jehova” aparece na obra:

  • Pugio Fidei (c. 1270)
  • Escrita por Raimundo Martini, um frade dominicano espanhol.

Martini combinou:

  • As consoantes do tetragrama: YHWH
  • Com as vogais de Adonai

Os massoretas judeus, séculos antes, haviam colocado as vogais de Adonai junto ao tetragrama apenas como lembrete para não pronunciar o nome, mas dizer “Senhor”.

Martini leu essa combinação de forma literal — e assim nasceu algo como:

Y(e)HoVaH → “Jehova”

Ou seja:

👉 “Jeová” não é uma preservação do nome antigo.
👉 É uma construção híbrida medieval.


📖 O QUE AS PRÓPRIAS PUBLICAÇÕES DAS TJs ADMITEM?

Aqui está o ponto crucial: a própria organização reconhece essa origem.

No livro O Nome Divino que Permanecerá para Sempre, publicado pela Watch Tower Bible and Tract Society, lê-se que:

  • A forma “Jeová” surgiu da combinação das consoantes YHWH com vogais de “Adonai”.
  • A pronúncia original é desconhecida.
  • Muitos estudiosos preferem “Yahweh”.

A própria publicação admite que “Jeová” não é a forma original.

Além disso, a edição revisada da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas reconhece no apêndice que:

  • A forma “Jehovah” entrou no uso europeu séculos depois do período bíblico.
  • Não há manuscritos gregos do Novo Testamento contendo o tetragrama.

Ou seja:

✔ Eles reconhecem que o nome é medieval.
✔ Reconhecem que não aparece no texto grego do Novo Testamento.
✔ Mesmo assim, o inserem 237 vezes.

Isso levanta uma questão metodológica séria.


🧠 O PROBLEMA TEXTUAL

Nenhum manuscrito grego antigo — nem os papiros mais antigos do Egito — contém YHWH no Novo Testamento.

Todos usam:

  • Kyrios (Senhor)
  • Theos (Deus)

A hipótese oficial da organização é que o nome foi removido por copistas posteriores.

Mas há um problema:

Isso significaria que:

  • Todas as comunidades cristãs primitivas
  • Em regiões diferentes
  • Com tradições textuais diferentes

Teriam conspirado para remover o nome — sem deixar qualquer vestígio documental.

Historicamente, isso é extremamente improvável.

TABELA COMPARATIVA — TEXTO GREGO VS TNM

Texto Grego OriginalTradução do Novo MundoObservação
KyriosJeováNão há YHWH em nenhum manuscrito
TheosJeová (em alguns casos)Inserção baseada em hipótese
Romanos 10:13 — Kyrios“Jeová”Citação de Joel aplicada cristologicamente

Fato crítico:
Todos os papiros mais antigos (inclusive do Egito) usam Kyrios.
Nenhum contém o tetragrama.


⚖ A QUESTÃO TEOLÓGICA

A inserção do nome “Jeová” no Novo Testamento não é apenas uma decisão linguística.

Ela tem implicações doutrinárias profundas.

Por exemplo:

Em textos como Romanos 10:13 (citando Joel), a Tradução do Novo Mundo coloca “Jeová”, enquanto o grego diz “Kyrios”.

Isso afeta diretamente:

  • A cristologia
  • A relação entre Jesus e YHWH
  • A interpretação da identidade divina no cristianismo primitivo

Ou seja:

A tradução não é neutra.

Ela reforça uma construção teológica específica.


🔎 UM PARADOXO INTERESSANTE

A organização critica outras traduções por:

  • Inserirem palavras não presentes no texto original.
  • Traduzirem segundo pressupostos teológicos.

Mas no caso do nome “Jeová” no Novo Testamento, ela faz exatamente isso:

Insere algo que:

  • Não está nos manuscritos.
  • Não aparece nos papiros mais antigos.
  • Surgiu apenas no século XIII.

📌 CONCLUSÃO

Historicamente falando:

  • O nome “Jeová” não é a pronúncia original do tetragrama.
  • Surgiu na Idade Média.
  • Foi reconhecido como forma tardia pela própria organização.
  • Não aparece em nenhum manuscrito grego do Novo Testamento.

A questão então não é se o nome divino existia no Antigo Testamento — ele existia.

A questão é:

É intelectualmente honesto inserir no Novo Testamento um nome medieval inexistente nos manuscritos originais e apresentá-lo como restauração do texto?

Para um movimento que afirma seguir estritamente o texto bíblico, essa é uma tensão difícil de ignorar.



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